Mulher cega se forma em massoterapia e relata desafio ao aplicar acupuntura: 'Achava que jamais daria conta'

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher cega se forma em massoterapia e relata desafio ao aplicar acupuntura A vontade de fazer a diferença foi mais forte para duas mulheres de Presidente Prudente (SP) que enfrentam desafios diários pela perda total da visão desde o nascimento. Fabiana Oliveira possui duas graduações, enquanto Daniela Cristina é formada em psicologia. Fabiana Oliveira Barros Anjos, de 44 anos, se formou em massoterapia em 2025, após concluir o curso online de dois anos e meio. Com atividades práticas, a surpresa da estudante foi conseguir aplicar acupuntura em alguém, mesmo sendo cega. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp "Uma coisa muito desafiadora para mim foi fazer a acupuntura. Eu achava que jamais daria conta. Quando apliquei em uma pessoa, eu mesma não acreditei", relembra. Fabiana relembra que utilizou a anatomia do próprio corpo para identificar os pontos corretos de aplicação das agulhas de acupuntura. Como referência, usou partes da mão e percebeu as leves depressões nos locais indicados. "Foi um desafio muito grande, porque eu tinha que fazer uso de luva, então ficou mais difícil ainda sentir essas depressões, mas era preciso usar as luvas, porque às vezes acontecia de sangrar e, aí, você não pode ter contato com o sangue da outra pessoa", conta. Fabiana Oliveira Barros Anjos aplicou acupuntura durante aula no curso de massoterapia em Presidente Prudente Fabiana Oliveira/Arquivo pessoal A aplicação da terapia milenar chinesa ocorreu durante uma aula prática complementar. No momento da atividade, a estudante contou com o apoio da professora e de uma colega que se voluntariou para participar. "Elas passaram toda a confiança para eu poder aplicar, para que eu não ficasse só ouvindo. Me deram total autonomia para eu aplicar, como qualquer outro aluno." A profissional conseguiu aplicar a acupuntura em pontos básicos, considerados principais, que auxiliam no alívio de sintomas como ansiedade, dor de cabeça e insônia, por exemplo. "Consegui aplicar mesmo com medo", relata. A experiência veio a partir das atividades práticas em uma faculdade particular, onde ela era a única pessoa cega da turma e, por isso, precisou se adaptar à rotina de estudos e ajudou também a instituição a criar um modelo mais inclusivo. "Eu nunca gostei de ter nada de mão beijada: 'A gente te dá nota'. Mas, se eu fizesse isso, outra pessoa que viesse depois ia passar pelas mesmas dificuldades que eu passei. Então, eu mostrei para eles que não é a deficiência que vai me impedir de fazer alguma coisa." Capacidade "Eu expus as dificuldades que eu estava tendo na plataforma. Hoje, eu acredito que, se outro deficiente visual resolver fazer uma faculdade online, ele já vai conseguir ter mais acesso", continua. Fabiana começou o curso no formato presencial, mas, devido à pandemia da Covid-19, ela precisou continuar no modelo remoto. "Foi onde eu vi que eu dava conta de fazer uma faculdade online, qualquer coisa online, porque, até então, eu achava que teria que ser no presencial para estar ali em sala de aula." Sendo a mais velha de três filhos, Fabiana é a única da família com cegueira congênita, cujo motivo os médicos não souberam explicar. Entretanto, a perda da visão não a impediu de conquistar seus sonhos e, além do curso na área da saúde, Fabiana também é formada em secretariado executivo desde 2013. "Na época em que eu me formei, a maioria dos livros era física. Eu não tinha tanto acesso ao livro em Braile. Então, os livros precisavam ser gravados e tinha uma pessoa que fazia a gravação para mim, para eu poder estudar", relembra. Fabiana Oliveira Barros Anjos (de verde, na frente) se formou em massoterapia em 2025 Arquivo pessoal A faculdade na área administrativa contribuiu para que Fabiana trabalhasse na área por 12 anos. Agora, Fabiana pretende estudar para passar em concurso público e conseguir voltar para o mercado de trabalho. "Quero voltar à minha rotina de trabalho, ocupar meu tempo também, para me sentir uma pessoa útil. Eu acredito que a gente precisa ocupar a mente e, para mim, é nos estudos. Gosto muito de aprender", afirma Fabiana. Associação dos cegos Dentre as atividades que realiza, Fabiana frequenta a Associação dos Cegos de Prudente. Assim como ela, a entidade atende 140 assistidos cegos ou com baixa visão, de dois a 89 anos, de 21 municípios diferentes. Os atendimentos na associação vão desde áreas técnicas, como assistência social e psicológica, fisioterapia, atendimento infantil, enfermagem e atendimento nutricional, até atividades práticas, como informática, Braile, artes, mobilidade e grupos de apoio. Para ajudar na manutenção dos projetos desenvolvidos, a Associação dos Cegos de Prudente está oferecendo uma rifa solidária, com sorteio programado para o dia 8 de abril. Mais informações sobre como ajudar estão disponíveis nas redes sociais. Daniela Cristina Santos Nunes frequenta a Associação dos Cegos de Prudente desde pequena Reprodução Maternidade e inclusão Ao g1, Daniela Cristina Santos Nunes, de 35 anos, também conta as experiências que tem a partir da cegueira. A moradora de Prudente é outra que participa da associação desde pequena, o que a ajudou em diversas questões da vida. Ela é formada em psicologia desde 2013, mas não atua na área, por motivos pessoais, e prefere se dedicar às duas filhas, de 10 e seis anos, além da rotina da casa. "Eu estou aproveitando cada momento das meninas." As duas filhas não nasceram com perda visual, diferente de Daniela e do esposo, já que ambos são cegos. O irmão gêmeo de Daniela nasceu com baixa visão e também se tornou cego há cinco anos. Um dos motivos para os dois terem cegueira seria a mãe ter sido diagnosticada, anos mais tarde, com útero infantil. "Eu levo uma vida praticamente normal, faço as minhas atividades de casa, vou à associação. Nós cuidamos das meninas, às vezes precisamos de uma ajuda ou outra, mas é igual a todas as famílias e, não, pelo fato da deficiência, mas pelo fato de que qualquer pai e mãe precisa de uma ajuda externa", afirma. Daniela conta que se acostumou a passar por momentos desafiadores todos os dias, principalmente pelo julgamento de outras pessoas, que questionam quando ela está sozinha, diminuindo a sua independência e a capacidade individual. "Quando a gente sai com as crianças, muitas pessoas falam a elas: 'Vocês quem estão cuidando do papai e da mamãe?'. Na verdade, nós que cuidamos delas, não elas de nós, né? Acho que o maior desafio é a sociedade não entender que nós somos completamente capazes de fazer praticamente tudo." Situações assim incomodam Daniela, mas ela conta que já aprendeu a lidar e passou a ignorar. "É uma ignorância da pessoa, não é minha. O problema, digamos assim, não é meu, é dela, é ela que não entende", reforça. Daniela Cristina Santos Nunes é mãe de duas meninas: Beatriz, de 10 anos, e Amanda, de seis anos Daniela Cristina/Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/03/12/mulher-cega-se-forma-em-massoterapia-e-relata-desafio-ao-aplicar-acupuntura-achava-que-jamais-daria-conta.ghtml


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