Paes pede investigação de Douglas Ruas por suspeitas de compra de votos e irregularidades eleitorais
04/11/2026
(Foto: Reprodução) A campanha de Eduardo Paes (PSD) acionou a Justiça Eleitoral para pedir a investigação de supostas irregularidades atribuídas a Douglas Ruas (PL) e à Coligação Rio Real nas eleições de 2026. Protocolada em 1º de novembro, a ação cita suspeitas de compra de votos e coação de eleitores, entre outras acusações, e pede a cassação do registro ou do diploma de Ruas.
O documento apresenta denúncias, registros policiais, reportagens e publicações em redes sociais como indícios para sustentar as alegações. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, por si só, comprovação das irregularidades.
Segundo a ação, há quatro eixos principais de suspeita: distribuição de propaganda considerada enganosa, circulação de santinhos apócrifos, registro de votos nulos com o número 13 e suposta compra ou coação de eleitores.
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Panfletos são alvo da ação
Segundo a petição, a campanha de Ruas contratou a produção de 100 mil panfletos intitulados "DOUGLAS RUAS - EVANGÉLICO", pagos com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
O material atribuía a Eduardo Paes posições favoráveis ao aborto, à liberação de drogas e a banheiros unissex, entre outros temas. Os advogados de Paes afirmam que as informações eram falsas e buscavam influenciar o eleitorado religioso.
A ação também questiona o panfleto "RIO ESCOLHE", que associava Paes ao então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva e destacava o número 13. Segundo a acusação, a propaganda poderia induzir eleitores a digitar 13 para governador, embora o número de Paes fosse 55.
A petição argumenta que 204.309 votos para governador foram anulados com o número 13. Ruas venceu no primeiro turno com 4.271.199 votos, ou 50,88% dos válidos, contra 3.706.984 de Paes, ou 44,16%.
Os autores argumentam que, se esses votos tivessem sido destinados a Paes, Ruas teria ficado abaixo de 50% dos válidos e a eleição iria ao segundo turno. A relação entre os votos nulos e o material de campanha, no entanto, ainda precisa ser demonstrada no processo.
Santinhos e suspeitas de compra de votos
A ação também relata a circulação de santinhos que associavam a foto e o nome de Paes ao número 22, usado por Ruas. Segundo a petição, parte do material não apresentava identificação do contratante ou da gráfica.
Entre os episódios citados para sustentar as suspeitas de compra de votos está a apreensão, em Niterói, de R$ 600 mil em espécie e planilhas com Priscila Alencar dos Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL). A petição pede que a origem e o destino do dinheiro sejam investigados. A apreensão, por si só, não comprova compra de votos.
Em Teresópolis, a ação cita ainda a apreensão de materiais de campanha de Ruas, um crachá de fiscal partidário e R$ 2 mil em dinheiro dentro de um veículo no dia da votação.
Também foram incluídas denúncias sobre suposta compra e coação de eleitores em diferentes regiões do estado. Publicações no X, Instagram, Threads, Facebook e Reddit relatam pagamentos de R$ 50 a R$ 200 em troca de votos.
Para aprofundar a investigação, os advogados pedem que as plataformas forneçam dados de mais de 60 perfis citados no processo, para que os responsáveis pelas publicações possam ser identificados e eventualmente ouvidos como testemunhas.
A ação também solicita o compartilhamento de procedimentos e investigações da Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Eleitoral e órgãos de fiscalização eleitoral relacionados aos episódios mencionados na petição.
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